Todo processo de mudança passa por uma coisa chamada Educação. A história nos mostra que, para transformar paradigmas e promover avanços, é fundamental capacitar e conscientizar as pessoas. Foi assim, por exemplo, quando foi criada a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), em 2002. Esse marco legislativo trouxe a educação ambiental para o centro das discussões sobre sustentabilidade, mostrando que mudar hábitos e atitudes requer conhecimento e informação.
Como bem dizia Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Essa frase nos desafia a refletir sobre o papel essencial da educação em processos de transformação social, especialmente em tempos de grandes desafios globais, como os relacionados à crise climática.
É nesse contexto que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), a ser realizada no Brasil, emerge como um marco histórico e uma oportunidade única. Mais do que um palco para debates climáticos, a COP30 se posiciona como um poderoso catalisador para promover uma mentalidade coletiva que valorize e incorpore práticas responsáveis em todos os setores da sociedade.
O evento promete abrir caminhos para uma série de discussões e oportunidades significativas para o país, desde negociações climáticas até a chance de fortalecer a liderança global em sustentabilidade, refletindo diretamente nas estratégias e práticas nas organizações. Contudo, para que o impacto da COP 30 seja realmente significativo, é essencial que a população brasileira esteja preparada para compreender e se engajar nessas questões.
E é nesse contexto que a educação se torna uma ferramenta indispensável. Além de relatar as decisões e compromissos firmados durante a COP30, é fundamental ensinar o que eles significam na prática. Recentemente, fiz uma enquete no Instagram perguntando se as pessoas sabiam o que significa a sigla ESG e como ela se aplica nas estratégias de negócio. Surpreendentemente, 75% dos participantes disseram não saber.
Esse dado reforçou a importância de dar luz ao que vou chamar de Educação em ESG. Termos como ESG, neutralidade de carbono, justiça climática e transição energética precisam ser descomplicados, traduzidos em uma linguagem acessível e conectados ao cotidiano das pessoas. É essencial que a população entenda como essas questões globais impactam suas vidas e de que forma suas escolhas podem contribuir para um futuro mais sustentável.
Como jornalista de formação, assumi o compromisso de traduzir esses conceitos de forma clara e prática. Meu objetivo é tornar o universo do ESG mais acessível, incentivando as pessoas a adotarem ações conscientes e a aprenderem a gerenciar riscos, levando em conta os aspectos sociais, ambientais e de governança.
Educação Educar para Transformar
Para que a COP 30 não seja apenas um evento grandioso, mas para que provoque também mudanças significativas no Brasil, precisamos investir na educação como ferramenta de transformação. Isso envolve tanto a formação de novas gerações quanto a requalificação de profissionais e lideranças em diferentes áreas.
Quando falamos em Sustentabilidade, ESG e no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), não estamos nos dirigindo apenas aos especialistas da área. Esses temas envolvem todos os profissionais, independentemente de sua atuação, porque o ESG é, por natureza, transversal. Ele toca diferentes setores e disciplinas, exigindo uma visão integrada que conecta aspectos sociais, ambientais e de governança. E empresas que adotam essa estratégia em seus negócios estão à frente.
O exemplo da Patagônia, empresa de marcas esportivas fundada pelo empresário americano Yvon Chouinard, ilustra o conceito de capitalismo consciente, que busca gerar valor além do aspecto financeiro. A empresa se destacou por adotar práticas inovadoras e sustentáveis, como o uso exclusivo de algodão orgânico em suas roupas, a incorporação de materiais reciclados, como poliéster reaproveitado, e a implementação de programas de reparo de produtos. Isso, sem falar que em 2022, a Patagônia anunciou a doação de 98% de suas ações sem direito a voto ao Holdfast Collective, um fundo dedicado à proteção ambiental, destinando cerca de US$ 100 milhões anuais em lucros para o combate às mudanças climáticas.
É importante lembrar que a indústria da moda está entre as mais poluentes do mundo, contribuindo significativamente para aceleração do aquecimento global. Para quem deseja entender melhor esse impacto, recomendo a série disponível na Netflix, “A Conspiração Comunista”. A produção aborda questões como o consumismo excessivo, impulsionado por marcas que frequentemente fabricam produtos de baixa durabilidade, e revela cenas impactantes sobre o destino final do lixo gerado por essa cadeia produtiva. É um conteúdo indispensável para quem deseja refletir sobre os desafios e responsabilidades na busca por um consumo mais consciente.
É através da educação que podemos aprimorar nossas escolhas, optar por produtos que causem menos impacto ambiental e valorizar empresas que promovem mudanças sociais significativas. Um exemplo notável é o Magalu, liderado por Luiza Trajano, que tem se destacado por iniciativas que vão além do lucro, integrando sustentabilidade, diversidade e inclusão em suas estratégias de negócio.
O Magalu implementou programas voltados para a capacitação de pequenos empreendedores, o apoio à igualdade de gênero e raça, e a ampliação do acesso a tecnologias. Esses esforços demonstram que é possível alinhar objetivos de negócios com impactos sociais positivos, inspirando outras empresas a seguirem o mesmo caminho. Ou seja, conhecer o problema nos faz sentir parte da solução.
Educação ESG e a COP 30, como estar preparado até lá?
Há quem diga que a sigla ESG está ultrapassada, especialmente após Larry Fink, CEO da BlackRock, recuar em seu discurso e afirmar que não usa mais o termo que ele mesmo ajudou a popularizar. Contudo, essa mudança não significa o fim do conceito, mas sim uma evolução em sua aplicação. Integrar práticas sustentáveis e éticas no centro das decisões organizacionais continua sendo uma das estratégias mais eficazes para diferenciar empresas e profissionais em um mercado cada vez mais exigente.
O ESG vai muito além de uma sigla ou de um movimento passageiro. Ele representa um novo paradigma para a gestão de negócios, onde os impactos ambientais, sociais e de governança são incorporados de forma estratégica. Profissionais que dominam essa abordagem têm a chance de se destacar, liderando iniciativas que geram valor a longo prazo e respondem às expectativas de consumidores, investidores e a sociedade em geral.
Ou seja, estar preparado se tornou palavra de ordem.
Mas, como estar preparado até a COP30?
- Capacitação Profissional: Invista no aprendizado contínuo sobre ESG. Participe de cursos, workshops e obtenha certificações que abordem temas como neutralidade de carbono, transição energética, inclusão social e transparência. Profissionais bem capacitados são fundamentais para acelerar a implementação de práticas transformadoras nas organizações. Familiarize-se com os padrões globais que orientam as melhores práticas no tema, como os Princípios do Pacto Global da ONU, as Normas da GRI (Global Reporting Initiative) e o SASB (Sustainability Accounting Standards Board), entre outros. Conhecimento é poder, e no caso do ESG, é também uma ferramenta para liderar mudanças significativas.
2. Apropriação de Conceitos Fundamentais: Termos como justiça climática, economia circular e governança corporativa precisam ser descomplicados e contextualizados para que possam ser aplicados com eficiência. Empresas e instituições educacionais têm o papel de traduzir esses conceitos de forma prática e acessível.
- Engajamento em Discussões Globais e Locais: Participe de eventos, fóruns e debates sobre mudanças climáticas e ESG. Isso não apenas amplia sua compreensão sobre o tema, mas também conecta você a uma rede de pessoas e organizações comprometidas com soluções sustentáveis.
- Planejamento e Implementação de Estratégias ESG: Empresas de todos os portes devem aproveitar o momento para revisar suas operações e implementar estratégias alinhadas ao ESG. Isso inclui avaliar sua pegada de carbono, promover diversidade e inclusão, e adotar boas práticas de governança.
Finalizando, Educação em ESG significa: desenvolver habilidades estratégicas, fortalecer sua reputação como um profissional inovador e explorar novos mercados, tudo isso enquanto gera impacto positivo no mundo.
Aproveite este momento para investir em sua capacitação, expandir seus horizontes e se posicionar como um líder em práticas sustentáveis. O futuro será moldado por aqueles que escolhem agir de forma consciente hoje. E você, está preparado e disposto a entrar no universo do Educação em ESG?